O PIB de 2011 decepcionou. Contudo, foi o resultado de uma decisão de governo.
Do site Opera Mundi, a extremamente lúcida palestra do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, um dos mais importantes formuladores da política externa brasileira:
O Brasil está na moda. Você tem lido e ouvido esta frase com muita frequência nos meios de comunicação.
A desigualdade brasileira está entre as dez mais altas do mundo apesar de estar no piso das nossas séries históricas
Quando o ministro Guido Mantega referiu-se à existência de uma “guerra cambial”, houve grande alvoroço e não lhe pouparam críticas. Algumas até ferozes, alimentadas pelo nosso velho “complexo de vira-lata”.
O Brasil vem conquistando avanços importantes em vários campos, principalmente no econômico-social, o que nos tem propiciado maior autonomia das políticas econômicas para enfrentar as adversidades do ambiente externo.
Em 2011, a economia brasileira registrou crescimento medíocre. O PIB cresceu um pouco menos do que 3%; o setor industrial estagnou.
A inflação oficial brasileira atingiu 6,5% em 2011, no limite do teto da margem de tolerância, de 2 pontos porcentuais, da meta anual. Diante das circunstâncias domésticas e do cenário externo, não deixou de ser um resultado favorável.
De seu posto privilegiado de diretor-executivo do Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Júnior não esconde o pessimismo com as perspectivas econômicas para 2012. Ele nota que o choque externo é recessivo e deflacionário (os preços dos produtos estão arrefecendo). Os riscos vêm da zona do euro, dos Estados Unidos e da China.
As crises surpreendem-nos sempre. Talvez o mais surpreendente seja, porém, a semelhança dos comportamentos na sua origem. Repetem-se tantas vezes que a sabedoria popular preservou esse processo sob a forma de fábulas e contos. Se voltássemos a ler com os nossos óculos do presente o célebre conto dos Três Porquinhos, encontraríamos as razões por trás da crise do euro: seria, em suma, a crise euro contada às crianças.
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